12 de fevereiro de 2016

Cobertor curto

Estimados tricolores,


O que estamos vendo nesse início de ano é mais do mesmo. Há muito tempo nossas campanhas no Estadual são assim. Ganhamos um jogo dos Bonsucessos da vida, empatamos com Madureiras, perdemos de Boavistas. Depois vem os clássicos, perdemos, nos classificamos para as finais aos trancos e barrancos e invariavelmente perdemos para Botafogos e Vascos que jogam com mais raça, raiva e vontade contra nosso time. Aí o treinador é demitido, vem um novo para o Brasileiro e a roda segue girando. Então nos resignamos e aceitamos? No nosso entendimento não. Claro que é muito mais fácil falar de fora. Ser pedra sempre foi mais fácil do que ser vidraça. Administrar um clube de futebol com tanta pressão como qualquer time grande tem, é um exercício de inteligência, paciência e que exige firmeza na maneira de pensar. Se você toma decisões sem estar seguro delas, certamente naufragará.

O que se vê no departamento de futebol do Fluminense de hoje é um vácuo de poder ocupado por pessoas que não têm o preparo para isso. Todos mandam e ninguém tem razão. A bagunça é generalizada, há quebra de hierarquia todo o tempo e as soluções encontradas são sempre as piores possíveis. E o resultado dessa confusão, dessa ânsia por poder desenfreado, desse excesso de vaidade e personalização, é o que temos visto em campo desde 2013. Se o Presidente Peter realmente quer encerrar seu mandato sendo reconhecido e recordado como um dos bons presidentes que tivemos, ele precisa agir já antes que seja tarde. A demissão do Eduardo Batista, assim como as demissões do Cristovão, Drubscky, Enderson, será um paliativo. Essas demissões resolveram um problema pontual, oxigenaram por um período mas não acabaram com o desafio.

Para que o futebol volte a ser vitorioso o Presidente Peter precisa demitir tanto o Mário Bittencourt quanto o Fernando Simone. Eles são os responsáveis pelo fracasso que nos persegue faz tanto tempo. Já é hora do Fluminense ter no seu departamento de futebol profissionais de verdade. Que entendam do riscado, tenham experiência comprovada e possam gerir o carro chefe do clube. Nós já demos sugestões de nomes. Existem no clube pessoas com experiência que podem fazer um trabalho melhor do que o Mario, tal como o Júlio Domingues por exemplo. Se o Presidente procurar dentro dos quadros de associados, encontrará outros também qualificados para o cargo de VP. E nomeado esse VP, esse terá a obrigação de procurar um Diretor de Futebol de verdade. Alguém com cancha, rodagem e que saiba administrar elencos e vaidades. Existem nomes com mais experiência e nomes em desenvolvimento. O Corinthians apostou no ex-jogador Edu. A Parmalat fez uma aposta no passado no Brunoro, que veio do vôlei. Enfim, existem nomes que podem produzir muito mais, lembrando que o diretor pode ser remunerado e um profissional do clube.

Ato seguido esse diretor deve contratar um treinador de verdade. Chega de apostas. O Fluminense é um clube muito grande e com muita pressão interna e da mídia para ter treinadores aposta. Não funciona. Não somos assim. O perfil do Flu exige um treinador forte. Somente como exemplos, já que alguns não estão disponíveis ou não são a solução para o momento, nomes como Tite, Muricy, Cuca, Abel, Levir Culpi. Treinadores com casca, que saibam se impor ao grupo, a mídia, aos atores do meio. Que saibam montar um time, treinar, que não se assustem com os resultados, que não tomem decisões equivocadas na hora de substituir nem se precipitem. Que não achem que a solução quando está perdendo é colocar 5 atacantes e quando está ganhando 6 zagueiros. Que trabalhe as opções de esquema tático em função dos jogadores disponíveis, que trabalhe e ensaie jogadas de falta, bola parada, laterais. Enfim, que realmente prepare o time para o que as competições profissionais exigem.

Feitas as escolhas do VP, Diretor e Treinador, esses 3 de maneira conjunta devem formar uma comissão técnica permanente e de nível de um Fluminense. Nomes do quilate do Fabio Mahseredjian, Nilton Petrone (que já está no clube), Carlos Pracidelli, Paulo Paixão, são o perfil de profissionais que devem formar essa comissão. Nada de apostas, parentes, amigos. Nomear um assistente técnico permanente com formação correta, que possa realmente agregar ao clube, como por exemplo fazia o Milton Cruz no SP.

Para finalizar, essa nova diretoria precisa também rever nosso scout. As soluções encontradas são sempre fracas e as piores possíveis. Porque não se buscam jogadores no mercado sul americano como até mesmo o Botafogo tem feito? Porque sempre temos que girar na mesma direção, todo ano falando em Conca, Thiago Neves, Nem? Porque não buscar jogadores em baixa na Europa que aceitem vir jogar no Brasil? Para isso é preciso saber pesquisar. Opções existem mas como um departamento de scout formado de voluntários, sem ferramentas adequadas, sem preparo, nunca sairemos do lugar e os erros se repetirão. Formaremos elencos desbalanceados, com jogadores de perfis ultrapassados e que nunca renderão apropriadamente.

Enfim, o clube precisa é se profissionalizar. Chega de apostas, quer seja na gestão do futebol, na comissão técnica ou em campo. O futebol de hoje em dia exige seriedade. Num cenário de pouco dinheiro os investimentos precisam ser cirúrgicos e para serem cirúrgicos precisam de gente que entenda de verdade. Atue já presidente Peter. Não morra abraçado com conceitos que tem dado errado. O Fluminense não pode ser refém de um plano de poder. dirigentes e jogadores são passageiros. O Clube é eterno!


Esperança Tricolor

2 comentários:

Julio Cezar Carvalho disse...

Concordo que a desmedida troca de treinadores prejudica um bom trabalho, porém, após tantas rodadas sem que o time mostrasse qualquer coisa parecida com uma tática, não existe outro caminho que não a troca do Eduardo Baptista por alguém mais gabaritado para o cargo.
Time grande pode utilizar qualquer tipo de tática, mas é inconcebível que ele jogue com apenas um atacante, insistir em utilizar meias como atacantes é burrice, principalmente se estes meias não têm qualquer cacoete de atacante.
Nosso meio de campo é formado por três jogadores (Pierre, Cícero e Diego Souza) acima de trinta anos, ambos sem velocidade, e o único jovem (Danielzinho) de vinte anos é igual ao caranguejo, pega a bola e toca pra trás, aliás, eu devo estar cego, pois até agora não vi nada neste garoto que justifique a sua titularidade.
A torcida precisa parar de pegar no pé do Oswaldo e apoiá-lo mais, pois suas atuações não têm sido inferiores as dos que têm jogado, mas ele pelo menos tem a vantagem de procurar mais o gol.
Saudações Tricolores!

Esperança Tricolor disse...

Caro Julio, o problema atual do time transcende a questão tática ou mesmo técnica de alguns jogadores. Transcende a questão física. No fundo, os problemas táticos, técnicos e físicos dos jogadores são uma consequência. Como quisemos dizer, o maior problema do Fluminense atualmente é a falta de comando (ou, por que não, o comando sendo feito por quem na realidade deveria ser um dos comandados). Afinal de contas, desde a saída do Renato Gaúcho do comando técnico do time, as escolhas feitas orbitam no mesmo estilo de técnico: nomes com pouca experiência e do perfil "estudiosos da bola". Nenhum com perfil que bata de frente com as eminências pardas do elenco (ou mesmo com quem comanda o departamento).

Resumindo: se a mudança não ocorrer de cima, continuaremos vendo os mesmos erros se repetirem ciclicamente.

ST!

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