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24 de agosto de 2015

Até quando?

Caríssimos tricolores


Estamos ouvindo há algum tempo vários discursos. "Fomos abandonados pelo nosso antigo patrocinador, portanto este será um ano diferente"; "Associe-se ao Fluminense. Esta é a melhor maneira de ajudar o clube"; "As contratações para este ano foram feitas baseadas em estudos feitos pela equipe de scouts do clube"; "Estamos vivendo um momento especial. Tenham paciência com as nossas apostas"; Entre outros.

Mas sabe o que eu, Alexandre, que me associei ao clube com um plano de Sócio-Futebol em 2013, vejo? Incompetência! Sendo que esta sempre vem sendo mascarada ou disfarçada com os discursos citados no parágrafo anterior. Isso quando não vejo proeminentes dirigentes do clube subvertendo a matemática na tentativa de fazer torcedor de trouxa. Mas vamos agora destrinchar onde está a incompetência que eu vejo em cada um dos discursos usados.


- "Fomos abandonados pelo antigo patrocinador, portanto este será um ano diferente"

Sim, fomos abandonados pelo antigo patrocinador e por isto este seria um ano diferente. Agora vem o ponto de divergência. Eu vi muitas das pessoas que fazem parte do grupo de apoio à gestão do clube reclamar do antigo patrocinador, que o Fluminense estaria em uma situação muito melhor caso o clube se livrasse da influência do antigo Mecenas. Não que o referido não cometesse seus erros, e sim, ele os cometia, erros dos quais eu mesmo critico. O discurso do grupo político se realizou. E havia um plano B preparado para esta situação ocorrer? Não. Porém o clube teve a sorte de poder contar com um novo Salvador da Pátria, que conseguiu um patrocinador rapidamente e que até está bancando o sonho do CT tricolor. Pra quem estiver disposto a fazer um exercício de análise, dá pra traçarmos um interessante paralelo com o ano de 1999, onde o que diferencia o Salvador da Pátria atual do daquele ano é a diferença de ações (enquanto o antigo pensava só em montar grandes times de futebol, este pensa na estrutura do clube). Mas até quando o atual Salvador da Pátria será visto com bons olhos para a administração do clube (sendo que o mesmo já teve seus problemas com o grupo político de apoio da gestão no passado)?

- "As contratações para este ano foram feitas baseadas em estudos feitos pela equipe de scouts do clube"

Tendo em vista o contexto do clube à época, com pouco dinheiro, que não possuía a certeza da continuidade do antigo patrocinador, e levando em consideração também que o Novo Salvador da Pátria possui modus operandi diferente do anterior, é compreensível e aceitável a justificativa do uso da equipe de scouts para conseguir jovens reforços de forma gratuita. Porém, do pacote de reforços do início do ano (composto por Marlone, Vinícius, Lucas Gomes, Guilherme Santos, Victor Oliveira, Giovanni e João Filipe) somente um destes rendeu bem pelo Fluminense, caso de Vinícius. Muitos vão reclamar sobre Giovanni, mas este aí só ficou mesmo por conta da falta de outro jogador e não por sua capacidade técnica. Alguns destes já foram dispensados pelo clube, como os casos de Marlone e Guilherme Santos. E os outros, excetuando Vinícius, apresentam deficiências técnicas tão impressionantes que é impossível você pensar em competência da referida equipe de scouts. E enquanto os jogadores de scout vinham chegando, jovens valores da base que hoje em dia se mostram muito mais úteis que a maioria das apostas feitas eram emprestados ou convencidos a procurarem outros clubes.

- "Estamos vivendo um momento especial. Tenham paciência com as nossas apostas"

Como ter paciência em apostas que apresentam deficiências técnicas tão gritantes assim, como nos casos de Lucas Gomes, Victor Oliveira, Guilherme Santos (que graças aos deuses do futebol já foi negociado), Giovanni e João Filipe? E o que mais impressiona é que mesmo mostrando tantas deficiências técnicas estes jogadores vão tendo chances no elenco. E em muitos casos o Fluminense perdeu jogos por conta destas deficiências técnicas, sendo o caso mais emblemático a partida de ontem contra o Joinville. E a pergunta que fica é: Por quê jogadores tão fracos assim continuam tendo tantas chances quando alguns jogadores vindos da base que se mostram muito mais produtivos que estes apenas ganham chances por serem as últimas opções ou só pra jogar improvisados em posições que não são as suas?

- "Associe-se ao Fluminense. Esta é a melhor maneira de ajudar o clube"

Esta é a maior das falácias que vejo circulando pelas redes sociais atualmente. A princípio você pode pensar que se associar ao Fluminense é a melhor maneira de ajudar o clube que você tanto ama. Mas tendo em vista o que vem acontecendo no clube, você só consegue ajudar mesmo o Fluminense de uma única forma: Sendo Sócio-Contribuinte do clube (ou proprietário, condição que de acordo com o Estatuto do Clube só é possível em condições especiais). Você, meu caro amigo Sócio-Futebol como eu, está atualmente ajudando a manter não o seu clube de coração, mas a empresa a qual o clube terceirizou a administração destes planos alegando incompetência na gestão dos planos, ou ao Consórcio Maracanã, que agora também recebe uma parte do dinheiro que seria destinado ao clube com o ~novo e melhorado~ acordo feito entre Clube e Consórcio. E sim, me sinto feito de idiota pelo Clube, pois a propaganda criada na época era a de que eu ajudaria O Clube, situação que hoje em dia não mais ocorre. Alguém pode vir e dizer "se é assim, pare com o seu mimimi e torne-se Sócio-Contribuinte, oras", mas não é assim tão simples. Se eu pudesse mesmo, já o teria feito. Porém infelizmente a melhor ajuda que posso fazer é me manter Sócio-Futebol (situação que muitas pessoas podem compartilhar também), mesmo sabendo que não estou ajudando ao meu Clube e sim a terceiros.


E além destes citados, temos outros focos de incompetência. Vemos um presidente que descarta a contratação de um preparador físico da capacidade do Paulo Paixão por este ser "muito caro"; Vemos o clube participar de um torneio no exterior no início do ano, no mesmo período onde deveria começar a preparação física e técnica para o restante do ano, sendo que um dos destaques que o clube leva para este torneio é um jogador de futebol morbidamente obeso, se levarmos em consideração o padrão físico necessário para o desempenho da atividade; Vemos um time que possui uma preparação física fraca, fazendo com que os jogadores já estejam cansados com pouco tempo de disputa ao voltarem para o segundo tempo das partidas; Vemos um presidente que resolve brigar com a Federação DURANTE o torneio organizado por ela (concordo que o Clube estava brigando pelos seus direitos e acho correto brigar pelos seus direitos. Mas brigar durante a disputa do certame é assinar um recibo que diz "autorizo-os a prejudicarem meu clube da forma que quiserem no seu torneio", ainda mais quando sabemos que a Federação é conduzida por um tipo de máfia); Vemos um clube que libera jogadores que voltam de lesão ou que estão voltando a jogar pelo clube depois de passarem bastante tempo sem jogar não obedecendo um critério sensato (como nos casos de Fred, Ronaldinho, Osvaldo e Cícero); Vemos o clube mudar a estratégia nas contratações e, das jovens promessas, voltar aos medalhões (Pierre, Antônio Carlos, Magno Alves, Ronaldinho Gaúcho e Wellington Paulista) sem justificar nada e deixando aos torcedores a ideia de que erraram no início do ano; Vemos o Departamento de Futebol insistir em manter Cristóvão Borges para dois ou três meses depois demiti-lo, contratando logo após Ricardo Drubscky, que logo no início do brasileiro se assume incapaz de conduzir o time de futebol; Vemos o VP de Futebol contratar um jogador de 39 anos se baseando única e exclusivamente em PENSAMENTO MÁGICO; Vemos o time de futebol jogando muito mal e sem qualquer padrão de jogo; Vemos a máquina do Clube sendo usada para iniciar a campanha política do ano que vem (apesar da massa defensora dizer que só a oposição vem fazendo politicagem rasteira); E muitos outros focos que em qualquer lugar seriam definidas como incompetência, mas não neste Fluminense de hoje em dia.

Sim, eu, Alexandre, estou cansado de ver o Fluminense sendo conduzido desta forma por gente que diz Ser Fluminense mas que, pelas suas atitudes, demonstram apenas Estarem Fluminense. E sim, estou cansado de ver estas pessoas pensarem que fazem a todos de idiotas. Tenha a certeza de que não somos idiotas.

O Fluminense não merece gente como vocês. Tudo pelo Fluminense, NADA do Fluminense!


Alexandre Nogueira
Sócio-Futebol e Membro do Esperança Tricolor

26 de junho de 2015

Coluna do Danilo

Estimados Tricolores,

No meu primeiro texto falei dos impactos da "espanholização" nos clubes. No segundo abordei a importância dos programas de sócios torcedores. E neles comentei muito sobre o impacto no nível dos jogadores e elencos.  Hoje vou focar nisso: A qualidade do futebol brasileiro.

Apesar de saudosista não gosto muito de ficar comparando épocas. Os craques de antes seriam craques hoje. E os craques de hoje, como o Messi por exemplo, seriam craques em outras épocas também. O que talvez não tivessem seria o marketing excessivo que vemos hoje em dia. Aceito que o marketing é parte do negócio. Futebol é hoje mais que um entretenimento, é um negócio que movimenta bilhões. E o marketing é peça fundamental nessa estratégia. Mas acho que o marketing excessivo esconde a verdade e cria ufanismos maléficos.

No entanto, dito isso, é fato que no passado tínhamos no Brasil muito mais craques. Fica difícil entender em que momento perdemos isso. Mas foi um processo longo. Tenho a impressão de que a derrota na Copa de 1982 foi o estopim para o fim do nosso futebol. Aquela seleção encantou o mundo. Faz alguns dias estava almoçando com um amigo colombiano e ele escalou a seleção de 82 em detalhes. Conhecia todos os jogadores. Funções, estilos, quem era bom, quem era ruim. E disse que a partir dessa Copa ele passou a torcer tanto para o Brasil como torcia pra Colômbia. Mas que não entendia como de repente nosso futebol secou.

Muita gente fala que apenas temos uma safra ruim. Talvez. Mas será que a origem de tudo não xxvem do péssimo trabalho na base? Depois de 82 jogar bonito virou sinônimo de fraqueza. O que importava era ser competitivo. Perdemos com isso nosso estilo. O brasileiro sempre foi um jogador criativo, como o nosso povo é. Sempre foi de jogadas geniais e inesperadas. Já os europeus sempre se caracterizaram pela força, disciplina e conjunto. Via a entrevista de um alemão e ele dizia que aqui, mesmo na atual safra ruim, juntamos um grupo e em duas semanas temos uma seleção que joga de igual pra igual com a maioria das outras seleções tops. Vide o time do Dunga conseguir ficar 10 jogos invicto, mesmo tendo enfrentado Argentina e Colômbia. Já na Alemanha, eles precisam planejar e não podem perder um jogador sequer. Trabalham como linha de produção.

Então com a definição de que teríamos que ser mais competitivos e menos “showman”, isso depois de ganharmos três mundiais, houve uma mudança na base também. A base ao invés de ser formadora de talentos e celeiro de craques para o profissional, passou a pensar primeiro em ganhar. Era importante ganhar títulos desde o fraldário. Consequentemente os mais fortes começaram a ser priorizados, já que na base a força faz diferença. Em paralelo começou um movimento de improvisação no profissional. Enquanto na Alemanha meias eram recuados para posição de volantes para melhorar o passe e a saída de bola, no Brasil, zagueiros eram avançados para volante para melhorar a marcação, volantes um pouco mais habilidosos eram avançados a posição de meia e meias viravam atacantes de lado de campo. Temos vários exemplos: Edmundo, Marcelinho, Edmilson, Edílson.   Com isso o meio campo foi sendo dominado por brucutus que não conseguem acertar um passe de meio metro. Os meias deixaram de fazer o básico que era armar o jogo e entrar na área para ajudar a fazer gols. Nosso estilo virou burocrático e chato. E a imprensa e os “professores” martelando na cabeça dos jovens: Tem que ser competitivo, tem que marcar, tem que pegar!

Xerém tem sido uma exceção nos últimos anos. Me lembro que desde que foi formada a comissão permanente em 2007 e contratamos vários profissionais de outros centros, a filosofia na base mudou um pouco. Começamos a trazer jogadores com características que se adaptassem a posição em que jogariam. O baixinho habilidoso e rápido reconquistou seu espaço. O meia de verdade reapareceu. O resultado desse trabalho podemos ver agora. A geração sub 17 depois de se destacar em 2013 e 2014, agora começou a trazer frutos. Temos dois meias de verdade aparecendo ao mesmo tempo, Gérson e Robert (uma geração a frente). Um zagueiro que sabe sair jogando, habilidoso e calmo mas sem perder o vigor e a força na marcação, Marlon. E um atacante forte mas habilidoso e rápido, o Kenedy.

Os clubes brasileiros precisam voltar a investir na formação de craques. Não pode um jogador chegar nos juniores sem saber o básico, fundamentos, balanço ofensivo e defensivo, passes, etc. E talvez, um sonho dourado, com o dinheiro dos programas de sócio torcedor e com o bloqueio a "espanholização", segurar por mais tempo os destaques da base. Eles precisam amadurecer. Subir no tempo certo, jogar no profissional até 23, 24 anos, e aí sim sair do país. Precisamos para recuperação do futebol brasileiro que isso aconteça. E para conseguir isso precisamos de clubes saneados financeiramente e bem administrados. Clubes fortes que sejam capazes de oferecer boas condições de trabalho e salários interessantes. Futebol pode ser entretenimento, negócio e competição ao mesmo tempo. Basta ser inteligente.

Danilo Fernandes
Sócio-contribuinte e membro do Esperança Tricolor