18 de fevereiro de 2015

A estranha geração democrática


Estimados tricolores,

Sou de 1972. Uma geração que quando entendeu o mundo aprendeu que democracia era algo bom, mas que não conhecia. Uma época em que o futebol era jogado por craques. E craque não era o que fazia palhaçadas, rebolava, pegava modelos atrizes ou ajeitava seu cabelo para o empresário dizer ao olheiro "meu jogador é aquele de cabelo moicano pintado de roxo". Craque era craque.

Pois bem. Essa geração sempre sonhou ser democrata, viver numa democracia. Num país onde discordar fosse saudável. Onde ser contra a situação não fosse considerado "torcer contra". Assim crescemos.

Do sonho, passamos à realidade. O país se transformou, tivemos a abertura. Viramos um país em que qualquer um pode exercer seu direito mais pleno como cidadão: opinar!

Assim vivemos alguns anos até que voltou a ser "feio" discordar. Hoje em dia, o que se diz é: "segundo as estatísticas, mais gente come, menos gente está na pobreza." E aí concluem: "logo, como todos se metem em escândalos o atual governo pode ser acusado de qualquer ato ilícito. Não importa. Prefiro um que seja acusado de algo ilegal ou anti ético mas faça e que se preocupe com o povo."
Fecha aspas.

Seguindo o raciocínio, ser contra, discordar, criticar, é errado. É torcer contra, torcer pelo fracasso.  Ué, mas não era exatamente isso que se dizia da antiga oposição quando não era governo? E o Fluminense? Qual a relação? Aqui é a hora de falar do direito democrático a discordar e ser oposição. Aqui está a relação.

Vivemos um Fluminense estranho, onde só se aceita uma opinião: a que está a favor. O curioso é que essa mesma administração acusou a FERJ de ser uma herdeira do AI5. Mas internamente e nas redes sociais, age muito parecido.

Julga a oposição de oportunista, aventureira e sabotadora. Usa redes sociais para atacar, desvalorizar e diminuir qualquer voz dissonante. E isso chegou até as rádios, já que no último fim de semana, num debate, a oposição tricolor foi rotulada como "inimiga do clube". Algo assim. Entendi mal?! O atual governo tricolor acha que ninguém deve falar nada do clube ficar meses sem um VP financeiro como manda o estatuto. Não encontraram um bom nome e pronto. Fica sem VP.

Segundo leio em redes sociais, supostamente um VP tem um contrato com o clube que o remunera. E remunera bem. E a oposição não pode perguntar se é verdade, não pode ver o contrato e nem saber se ele existe. O que vale é o que esse VP produza para o clube.

Os fins justificam os meios, caso seja verdade. Se não for verdade, ficamos no campo do exemplo. Afinal,qualquer pessoa de bom senso dirá que há, no mínimo, um conflito no exemplo dado.
Explicando porque. O estatuto do clube não permite VPs remunerados. Se temos no clube qualquer VP que seja remunerado através de contratos particulares, isso é correto?

Não discuto se o profissional merece ou não a remuneração. Até porque acho errado o estatuto. Temos um estatuto de 1900 e vovó que não segue o mundo moderno, onde um presidente e um VP com dedicação exclusiva deveria sim ser remunerado... Em qualquer empresa o maior salário é sempre do maior acionista e dos principais executivos. No futebol o craque ganha 900 mil e o presidente e o VP, nada. Está errado. Mas quem se candidata sabe disso. Sabe a regra do jogo.
Mas esse infelizmente não é o pensamento vigente de maneira geral. As pessoas pensam que se você faz, você merece a exceção. Oi? Como assim?

Um outro bom exemplo do atual estado democrático do Fluminense. O clube contratou uma pessoa super competente e honesta para ajudar na comunicação. Essa pessoa, dentro do direito democrático e da função que exerce, usa as redes sociais para fazer o jogo político e publicar matérias sobre o clube e seus diretores e atos e falar bem de possíveis candidatos da situação. Isso pode e ela não é acusada de fazer campanha ou seja lá o que achem da oposição.

Mas quando a oposição, sem se esconder, faz o mesmo nas mesmas redes sociais ou reclama de problemas no clube, é criticada. O que é isso? Democracia?

Respeito o direito de elogiarem a atual administração mas quero respeito também quando ela for criticada. Sem rótulos de "vocês só sabem criticar", "estão fazendo campanha", etc. Li outro dia, por exemplo, que julgam aventureiros aqueles que se opõem e lançam pré-candidato dois anos antes. E o que eram eles há 10 anos? Aventureiros? Oportunistas? Torciam contra?
Não. Eles eram "diferentes". Pensavam "diferente". Não tinham sido picados pela mosca azul do poder. Não eram convidados para camarotes, áreas VIPs. Não conheciam gente famosa, não apareciam na imprensa, não eram reconhecidos na rua. Hoje, são. Mas não por eles, por mais que a vaidade diga que sim. São reconhecidos por algo muito maior que eles. Um algo centenário. Histórico. E esse algo tem nome e sobrenome: FLUMINENSE FOOTBALL CLUB.
Você que acha correto tudo isso, pare e pense.
Eu não acho. E por isso nosso planejamento parte de um princípio básico pouco praticado hoje em dia: transparência! Uma palavra simples, mas que oculta princípios verdadeiros e nobres para qualquer um que queira o bem. Nós queremos o bem do Flu. Então, pedimos: parem com factoides. Parem de petetizar o FFC. Não menosprezem a inteligência dos sócios e torcedores. Marketing é bom. Ótimo. Mas quando é do clube.

E para não dizer que não elogiamos:
Excelente o trabalho até agora de renovação de contratos. Se conseguirem manter Wagner, Kennedy e Walter, já que brasileiro é coisa séria e precisamos de elenco, quase tiram 10.
Elogiável também a alta produção de talentos de Xerém.
E segundo o Horta, parabéns à VP Social pela organização da terça de carnaval para as crianças. Problemas reportados nos primeiros dias foram corrigidos e tudo correu bem no baile infantil.
E aí? O que comentarão? O elogio ou a crítica? Democracia, amigos... Democracia.
 
Saudações Tricolores,
 
Danilo Fernandes
Sócio Contribuinte e Membro do Esperança Tricolor

2 comentários:

FLUTEBOL disse...

Padrão. Flu$ócio é cheio de corruPTos.

EDUARDO COELHO disse...

Política nacional é política nacional!
Política do Fluminense é política do Fluminense!
Com esse discurso, quem está no poder do Flu continuará por muitos anos.
Tranquilamente.

Eduardo Coelho
Sócio Proprietário e Membro de NENHUM grupo político

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